quarta-feira, 7 de outubro de 2009

RIO MATOS



RIO MATOS

É de tão longe minhas terras que te chamo pelas torrentes de sul e vc responde nas nuvens - por elas atravessarem o continente - onde eu repouso minha cabeça nos campos de morango te desenhando nas nuvens (que não são as mesmas que vc enviou para dizer que dentro desse peito ainda bate um coração).
Te acolher era colher meu tom, bombom mordido por nós dois no samba, terreiro, ritmo que nossas almas reconhecem com axé.
No meio de tantas almas mudas, encontrei vc: rio matos - Se fazendo um oceano que já tinha naufragado muitos navios, afogado muitos marinheiros.

Vc que se faz as vezes de Mar, tentando fugir da sua dimensão. Vc que olha para o horizonte e não ver onde terminam suas ondas quebradas, sonhos que sei que ainda navegam em seu coração.
Vc que é MAR e emana suas ondas, em busca de amar os rios que conseguem passar por seu coração, quebrando o castelo e desarmando os canhões que vc se acostumará a deixar armado para todos os navios que se aproximavam.
- Vinham eles, com seus estrondosos barcos e suas chamativas velas, cortando, as vezes agredindo seu tempo, seu ciclo, seu rio-mar.
Vc permitia que entrassem ate certo ponto, e depois afundava-os - não era maldade, era apenas seu instinto, sua alma reagindo a todas aquelas coisas inúteis que aqueles colonizadores do amor traziam.

Eu, porém, vim dos rios amazônidas, do mato, das nascente da Bahia do Guajará, trombando com o tocantins e sua térmica brasa.
Eu entrei no rio matos sem navio, nem marinheiro. Entrei de canoa, sem camisa, com frutas regionais: açai, taperebá, cupuaçu, um risco avermelhado no rosto de urucu e poesias nativas, clamadas pelos olhos. Vim sem armas, sem aparatos e escudos, vim sem nada que pudesse agredir seu rio, Matos da mata, da floresta encantada. Canta para os seres animados trazerem suas lunetas no lugar dos canhões, trazerem as casas na arvore e tirarem os castelos sombrios. Trazerem os rios indígenas para a sua alma florir, sair do tom cinza.
Esses rios (raoni e matos) são nascentes de rios que podem nascer do nosso amor, das nossas mananciais de água transparentes em seus seios de mar e amar.
Esses dois Rios que correm n'alma vão trazendo os ventos, a chuva e a bonança que só os rios e suas nascentes podem eternizar.

Samir Raoni
05 de Outubro

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E O SILÊNCIO FALA



E o silêncio fala...
*
*
*
*
*
Estou a sentir você, pois seu ser escreve com o coração...
E quando escrevemos com ele aquecendo as palavras, estamos conectados com a mais profunda natureza, a alma.
Sinto... sem precisar entender,
Sem precisar ter razão, apenas me permito sentir, e assim evoluir,
e por fim colorir aquilo que um dia chamei de papel, vida desenhada com tinta de dias, respiração em vento de mundos, de folha, rios que correm para dentro sangrando por fora... Fortaleza, beleza que existe no começar e vai ficando cinza no passar, passo largo, mas um por vez... voz de quem canta para espantar a solidão, o medo e acender as estrelas do nosso tempo menino...
Delamar,
Irmã minha!
Alma que amo sem nem precisar falar!

Samir Raoni
Setembro, Belém

OS CANTOS DO RIO

Estou cansado de não ver o rio
não ver o sol se pôr
os rios donos do igarapés são
florestas de minha jornada
pelos cantos que semeio vida.

Samir Raoni
Setembro, Belém.

SAUDADE



SAUDADE

Te vejo em um mundo cheio de harmonia
e com a luneta da esperança
de quem quer fazer á travessia
rumo ao seu encontro.
Estou enlouquecendo de saudade,
meu espírito pede para atravessar o norte
que nos "separa".
Minha memória dança de felicidade quando lembro
dos sorrisos que juntos desenhamos no cinza da cidade,
colorindo nossas almas com a verdadeira natureza que compõe
nosso universo tão diverso.

Samir Raoni

AS DORES



AS DORES

São elas cores? (Irmãzinha)
flores?
Entendo quando você diz que as dores
coletivas são dores maiores
Entendo quando você diz que sua dor
é um vento que pode soprar depois...
Mas como seu irmão digo-te sem verdade ou razão:
Que só podemos sentir a dor que nos pertence.
O mundo são dores nossas, mas dores que sentimos de costas,
são dores que surgem pelas pegadas humanas (isso a se pensar)
pois as nossas dores vão para o mundo, que as vezes
deixa de sentir.
Sinta sua dor sem deixa-la ecoar em sua alma,
mas deixe que ecoe, que seja sentida, pois ai esta
a prova do ser humano que você é minha irmã.
Sua postura de não querer sentir sua dor por existirem
dores maiores no mundo é nobre e prova a alma
que habita em seu corpo, mas você precisa se permitir
sentir sua dor, pois ai esta a constelação dos seus sentimentos
e eles estão sendo levados pelos ventos, eles, que perguntam:
As dores, são elas cores? (irmãzinha)
Flores?

Samir Raoni
Setembro, Belém

EU PODERIA TER SIDO



EU PODERIA TER SIDO

Eu poderia ter sido o lago, o sábio,
o astro que nutri o sábio, que banha
no lago, sabendo das gotas correntes
nos versos ardentes da mãe, do pai,
dos irmãos.

Eu poderia ter sido o cacho de iaça,
apanhado pelas mãos, batido pelo
suco grosso, sabor escorrendo pela boca
dos verbos nascentes da alma dos rios.

Eu poderia ter sido o deserto e sua
imensidão espiritual, carregando
as labaredas das noites estreladas,
como lençol magico de vida,
da inexistência do tempo.

Eu poderia ter sido montanha
e suas rochosas estruturas
lampejando o céu e sua nevoa.

Eu poderia ter sido o espelho do jardim
que reflete duas vezes a beleza que habita ali
renascendo, ressurgindo, reiniciando
o ciclo de tudo que um dia fui no papel
da imaginação.

Samir Raoni
30 de Setembro, Belém ao som de Yann

terça-feira, 29 de setembro de 2009

SÓ FICARÁ



Só ficara na noite
os tetos que minha casa ergueu
o moinho que apavorou o sonho
salvou as lembranças enamoradas
da memória de vela de quintal marinho.
Só ficará os andaimes e suas pistas de alma.
Só ficara o vestígio dos pés 
em direção dormente dos olhos acesos
dos lábios molhados que se fizeram 
naquele dia que vi os cabelos balançarem
dourando com os raios reluzentes dos ventos
atentos por um passar de memória em filme
sem rebobina, rotina de um rio que cresce nas margens
das lembranças, sua infância em poesia escrita
por Vanuucci, notas digeridas sem perceber
o intervalo da vida e morte.
Só ficará aceso o Sol do Rio Tocantins
em tons de pincel, nuvem em aquarela, vasos pendurados
na janela, com vista para as arvores do horizonte.
Só ficará a ceiva das arvores que enraizou seus toques
lembrando rituais tribais, ritual do corpo, onde a alma dança,
canta e borda seu vestido com meu corpo ofegante
seco de noite nua, minha, sua , plugada em caixa acústica
onde só quem ove o eco é o universo que suporta
nossa realidade irreal.

Samir Raoni
Marabá, 28 de Setembro
Projeto Alma Poética: Comunicação através de poesia intuitiva.
Desc: Resignificação do escrito de Torquato da Luz, enviado pela poetisa Paola Vannucci.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

RIOS QUE CORREM NO MAR



RIOS QUE CORREM NO MAR

Vejo e não vejo.
toco e não toco.
sinto e não sinto.
vejo, toco e sinto você.

as sensações não devem ser escritas
- tens a sensibilidade e a alma de uma artista,
e nessa alma o abstrato fala mais que as definições.
Se sentes o mundo e tenta sempre traduzir a alma das coisas
e dos seres que vivem nele, apenas pela ótica estética
não conseguirás ver nada.
Veras e não veras...

Toco
na tela que te compõe,
aquarela, janela de vidro,
janela com vista para o jardim do sorriso
acordado como perolá do anoitecer

Tocamos e cantamos naquela noite, Lembra?
Você estava com o lírio em seus olhos.
Sintia as veias do coração acordarem as borboletas
pulsantes do teu tom,
batendo as asas, voando para o norte
semente plantada e regada
colhida e compartilhada com os filhos do sol
esse que se fez tão cúmplice do nosso sentir.

Vejo, toco e sinto você
tão leve quanto o pulsar natural do rio
que segue seu o traço do Marajó
sem mudar a natureza que em nós habita
permitindo que os nossos mares se encontrem
como a afluente de dois rios
matos e raoni, eles navegantes
de mares que dão sentido a vida.

Samir Raoni, Setembro, Belém

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

SÃO ELES OS LOUCOS DA PROVÍNCIA




SÃO ELES OS LOUCOS DA PROVÍNCIA


São eles os loucos da província
são eles,
entre os homens comuns
são eles,
as próprias pernas e pés
andando na escada de dois ponteiros,
sem saber se á frente existe algum cruzeiro...
espelho batido no tempo de quem não sabe se
perdeu-se ou simplesmente se esqueceu
se existia a farda onde a própria loucura
reduziu sua verdade em um canto que ninguém mais conseguia ouvir.

Samir Raoni, inspirado no post 'Vida: Encenação' de Gabriel Fazzio
09 de Setembro, Belém

A PÁTRIA NÃO CONHECE TODOS OS QUINTAIS



Foto: Portal O Globo
Dsc: As últimas notícias diziam ser cerca de 13 mil os que vivem nas ruas apenas no centro de São Paulo.


A PÁTRIA NÃO CONHECE TODOS OS QUINTAIS


O Brasil é patriótico em uma ótica de quem tudo esgota...
gota de lagrima, dos olhos da bandeira verde, amarela, azul, branca
e as vezes tenho leve sensação de vermelha... ela que tem o azul do céu, das estrelas cadentes, carentes de sonhos e pilares que sustentem os lares onde dormem essas crianças, dormem esses hinos, dormem o futuro,
meio nu, meio podado mesmo antes de ter crescido,
ramificado suas cordas da maturidade,
idade média, incerta, esperta.
Elas não sabem o hino nacional,
a pátria não conhece todos os quintais,
e as sementes estão crescendo no sete de setembro,
nas avenidas que a própria pátria esqueceu...

Samir Raoni, inspirado no no post 'Pátria' de Paola Vannucci
09 de setembro, Belém