PROJETO



PROJETO

Sou um projeto criado nos passos que me seguem.
Os raios penetram as nuvens, que penetram as arvores que penetram os homens, formando sombra. Ligam os refletores. Os prédios (os arranha-céus), as janelas crepitam observações do mundo, dos carros que seguem, das pessoas que falam, que morrem, nascem.
Mundo e monte. Janelas sem horizonte. O sol esta na bela suja moldura da sala. A vida que sempre remete os dias, esta sendo importada. Nada importa! Bato nas portas fechadas, encontro seres fechados dentro de si mesmo. Cadeados com códigos esquecidos na solidão. O café da manhã é amargo, açúcar nato.
Muda vida, muda rua, mudo! Muda!
Pessoas mudas mudam. Nada muda!
Mudo estamos! Mudo estou!
As linhas por mim falam.
Mudam os ternos, mudam os vestidos, mudam as louças, mudam os castiçais, os carros.
Tudo mudando sem sinal, sem “controle”!
E ela? O que muda?
Muda como mudamos de bermuda!
Sou um projeto que tenta, que observa.
Sou absorvido por tudo que não serve de nada.
Nessa submissão de consumo de próprio erro, única escolha. Se ganho hoje, perco manhã. De que valeu projetos, se todo projeto sofre correção, revisão, repressão!
Somos projetos desenvolvidos para os passos. Com a testa na parede, com olhos acesos.
Somos detectados como projetos falhos. Projeto verde, confuso, sem cor, sofrido, nascido, embutido, percebido? – Tudo era colorido em meu jardim ate eu perceber que era tudo uma ilusão. Não aceitava ser um projeto incapaz de ter meu próprio projeto. Pois bem, somos castelos grandiosos. Nosso reino é complexo, cheio de detalhes não talhados. Com pinceis douramos as bordas douradas, das nossas igrejas do pecado. Sou o projeto falho que virou uma bomba para a sociedade dos bons. – Seu “projeto humanóide”, estamos fatiando o bolo da desigualdade. Servimos nossa desgraça com um belo sorriso forçado pelo salário que alimenta nossa cova, nossa própria exploração. Fazemos os bolos, a burguesia se delicia! Servimos as fatias com cauda de sangue, massa feita com massa social, tempero ideal!
Comemos as migalhas! E na herança apenas a lembrança do projeto de vida, vendido nas TVs- a - cores. Herdamos da TV uma vida preta e branca, apagada no infinito de nossa cegueira bendita. A bela casa do menino projeto já não existe mais. Mas o menino existe! E esta sobrevivendo, Raigufer.
Com portas e janelas abre-se a vida todos os dias buscando um novo projeto que não seja visualizado por longe ou perto e sim um caminho descoberto, por todos Aqueles que não estão cegos.

Samir Raoni

Comentários

  1. Quando leio o seu projeto a primeira vez, monto uma idéia. Quando leio pela segunda vez, remonto várias outras idéias, quando leio pela terceira, desmonto e desabo. Espero que leia a minha alma, que não está e nunca esteve cega.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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